Laringomalácia

Dando continuidade à nossa conversa sobre respiração ruidosa em crianças (estridor), como prometido, vamos abordar cada doença separadamente, com um pouco mais de profundidade nos assuntos.

Por ser o tema mais frequente e mais curioso nesta área, começaremos falando de laringomalácia. A laringomalácia é um termo tão frequente nos meios leigos, que em muitas situações, acabou inclusive virando sinônimo de estridor, o que não está correto, evidentemente.

 

É importante ressaltar que a laringomalácia não é propriamente uma doença, mas sim uma condição congênita (que já nasce com a criança). Os estudos médicos ainda não conseguiram demonstrar completamente sua causa, mas certamente já se conhece muito, o que permite falar do assunto com muita propriedade. Trata-se de um defeito da inervação da laringe, que determina dois problemas simultâneos, engasgos e ruídos respiratórios.

Na hora de mamar, a falta de sensibilidade da laringe faz com que os bebês se afoguem com facilidade, visto que o leite “entra no canal errado” sem que eles percebam (exatamente como ocorre com a gente quando nos engasgamos). E para respirar, as cartilagens da laringe se dobram e criam um obstáculo parcial à passagem do ar para os pulmões. O ar até passa, mas provoca um ruído, geralmente agudo (assobio), conhecido como estridor.

 

Quanto mais desenervada a laringe, maior a gravidade do problema, ou seja, mais engasgos e mais estridor. E como trata-se de uma condição de falha no amadurecimento, a situação pode se agravar com o passar dos primeiros meses, visto que o bebê cresce, se mexe mais, respira com mais força, mama mais quantidade e mais rápido, e a laringe continua não funcionando como deveria. Em média, o quadro pode piorar até os seis meses de vida!

 

Os quadros leves têm um barulhinho suave e ocasional, às vezes associados à posição do bebê. As mamadas costumam ser completas e há ganho de peso adequado. Nos moderados, mamar já não é tão fácil (o bebê mama um pouco e respira um pouco) e o barulho é persistente. Mas ainda há ganho de peso. Já pode haver algumas crises leves de falta de ar. Nos casos graves, a coisa toda muda. As mamadas são ruins, o barulho é intenso e há esforço para respirar (afunda o pescoço e às vezes o tórax). Há perda de peso e as crises de falta de ar são frequentes e podem ser graves.

 

O diagnóstico é feito por um exame chamado videonasolaringoscopia, habitualmente em um consultório de otorrinolaringologia especializado em respiração de bebês e crianças, sem maiores dificuldades. Nas situações mais graves, pode ser necessário exame em centro cirúrgico, sob anestesia geral.

 

Fechado o diagnóstico, segue-se para o tratamento. Nos casos leves normalmente não se faz nada. Só observação. Quando associados a refluxo (e essa associação é muito frequente), pode ser necessário tratá-lo. Os quadros moderados inspiram mais cuidados. Na maioria das vezes também não há remédios, mas o controle do ganho de peso deve ser semanal e a observação da criança mais atenta. O refluxo quase sempre coexiste e tem que ser tratado.

 

Os quadros graves são um capítulo à parte. Muitas vezes são cirúrgicos. É preciso remover uma parte dos tecidos da laringe (aqueles que se dobram e atrapalham a respiração). Trata-se de uma microcirurgia, feita com anestesia geral em ambiente hospitalar terciário, e o pós-operatório é frequentemente em UTI pediátrica. A condição não é completamente resolvida com a cirurgia, mas a criança passa a respirar melhor e consegue mamar, voltando a crescer a ganhar peso, permitindo que a laringe amadureça e finalmente o problema se resolva.

 

Com isso, concluímos a conversa sobre laringomalácia. Espero ter ajudado vocês a entenderem um pouco mais do assunto. Nas próximas postagens, falaremos de outras causas de estridor.

 

Até breve!

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