Respiração Ruidosa em crianças

Respirar não faz barulho!

Quando respirar faz ruído, algo está errado, pois o ar não está passando como deveria. Estes sons anormais, chamados de estridor, ocorrem em diversas situações, como rinites, atresias de coana, laringomalácia, paralisia das cordas vocais, estenoses da laringe e outros. O diagnóstico é feito através da videonasolaringoscopia e o tratamento é decidido caso a caso. Se seu filho faz barulho ao respirar, marque uma avaliação médica.

Respiração ruidosa não é normal!

A primeira coisa que a gente precisa saber sobre a respiração, é que respirar não faz barulho! Sim, uma informação que parece tão óbvia, mas que muitos desconhecem. Quando você está acordado e respirando normalmente, você escuta algo? A resposta correta é não. Se faz algum barulho, algo está errado. Pode até não ser grave, mas não é normal.

Para os bebês recém-nascidos, vale a mesma regra. Depois que saem da sala de parto e passam pelos cuidados básicos de pós-parto (aspiração das secreções presentes ao nascimento), sua respiração deve ser silenciosa. Durante as mamadas, a mesma coisa. Bebês devem mamar sem se afogar e sem qualquer ruído respiratório. Fora disso, algo está errado. E, como eu disse, não quer dizer que seja grave ou que necessite ser tratado, mas que está fora da normalidade, está!

 

Outra informação importante relacionada a respiração (e muito pertinente nesta conversa!) é que recém-nascidos não sabem respirar pela boca. Isso mesmo! Um bebê com nariz trancado pode representar uma emergência, visto que ele não imagina que pode (e não consegue, sozinho), abrir a boca e respirar. A mãe natureza os preparou para que conseguissem mamar e respirar ao mesmo tempo (por isso eles pegam no seio materno e mamam até se fartarem, sem interrupções), diferente das crianças maiores e de nós adultos que, ou bebemos, ou respiramos. Não dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo (a gente se engasga!). Só que este benefício traz consigo um risco, que precisa ser atendido prontamente.

Agora, voltando ao tema central, barulhos ao respirar, vamos a pergunta que não quer calar: por que alguns bebês não respiram em silêncio? Na verdade, a resposta a esta pergunta é simples e complexa ao mesmo tempo. Simples, porque o barulho representa que algo está no caminho do ar que passa do nariz até os pulmões, e complexa, porque este algo, pode ser representado por inúmeras situações, desde uma melequinha no nariz até um grande tumor obstrutivo. E, para complicar, diversos ruídos são possíveis, e de diferentes lugares. Os tipos de som vão desde assobios agudos e suaves até roncos graves e altos (iguais ao que seu avô faz enquanto dorme!) e podem vir do nariz e da garganta, ou serem mais profundos, acontecendo na laringe (cordas vocais), traquéia e pulmões.

Ok, já entendi! O barulho não é normal, pode acontecer por diferentes razões e em vários lugares, mas afinal, dá pra saber qual é o problema da respiração do meu filho, ou filha? Dá sim, fique tranquilo! E não é assim tão complicado, pelo menos na grande maioria das vezes.

 

A primeira coisa é saber quais são as causas mais frequentes dos ruídos respiratórios, também chamados de estridor (se seu filho respira com ruído, este é o termo que você vai escutar muito por aí, quando for consultar com especialistas em respiração de crianças). Sabendo o que procurar, fica mais fácil chegar ao diagnóstico na hora do exame. A seguir vou enumerá-las, e depois explicar uma a uma, com ênfase nas mais comuns.

 

No nariz, deve-se pensar nas rinites do lactente, desvios do septo nasal (que podem decorrer da posição do bebê dentro do útero ou de traumas na hora do parto), tumores do nariz e atresia da coana (coana é o final do nariz, quando se une com a garganta), que pode estar fechada (de um lado só, ou dos dois).

 

Na garganta, incluindo a laringe, o problema mais conhecido e frequente é a laringomalácia. Neste caso, as cartilagens laríngeas estão amolecidas, dobrando na hora de respirar, atrapalhando a passagem do ar. Da mesma forma, a paralisia das cordas vocais dificulta a respiração (elas não se abrem e o ar passa com dificuldade). O estreitamento do canal respiratório (conhecido como estenose da laringe) que aparece em defeitos congênitos na formação do bebê, também gera ruídos respiratórios. Diversas outras condições, entre elas tumores, dilatações e cistos, podem existir já ao nascimento e, por ocuparem espaço dentro da (já pequena) garganta das crianças, também são causas de estridor.

 

Problemas na traqueia e pulmões devem ser lembrados, mas são menos frequentes e normalmente mais graves, sendo identificados ainda no hospital e, nesses casos, as crianças nem chegam a ganhar alta hospitalar antes do problema ser resolvido.

 

Conhecendo os principais diagnósticos, o exame de videonasolaringoscopia, que na maioria das vezes será realizado no consultório de um otorrinolaringologista especialista em doenças respiratórias de crianças, quase sempre define o diagnóstico. Alguns poucos casos demandarão exame sob anestesia geral, no centro cirúrgico.O tratamento é individualizado para cada doença, e pode ser clínico (medicamentoso) ou cirúrgico.

 

Com este resuminho, a gente pode dizer que já conhece um pouco sobre respiração ruidosa em crianças. Mas, o que é mesmo importante nessa conversa, e consequentemente deve ficar como mensagem para todas as pessoas, não são quais são, muito menos os nomes das doenças (deixa isso para o pediatra ou para o otorrino!). O que vale mesmo é saber que barulhos respiratórios não são normais e devem sempre ser investigados, de forma que nenhuma doença passe desapercebida e possa se agravar com o tempo, obrigando a tratamentos mais complexos e, especialmente, colocando a criança em risco.

 

Nas próximas postagens vamos falar de cada uma das condições acima, detalhadamente, para quem desejar se aprofundar mais no assunto.

Até breve!

Veja o que o Dr. Fabiano Gavazzoni tem a dizer sobre laringomalácia

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